Meninos e meninas deverão ser vacinados contra o HPV

Meninos e meninas deverão ser vacinados contra o HPV
dezembro 28 17:07 2016 Print This Article

No próximo mês, começa a campanha de vacinação do Governo Federal contra o HPV (papiloma vírus humano). Além das meninas, a vacinação vai atender os meninos, também de 9 a 14 anos, incluídos no Calendário Vacinal a partir de 2017. Em Belém, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a vacinação contra o vírus HPV para meninos estará disponível a partir do dia 2 de janeiro em todas as unidades de saúde que possuem sala de vacina, das 8h às 17h. A meta ainda está sendo avaliada pela Secretaria. Já para meninas, em 2016, no período de janeiro a setembro, foram aplicadas mais de 16 mil doses da vacina, o que corresponde a quase de 50% do público alvo. Vale lembrar que a vacina contra o HPV para meninas está disponível na rede de saúde e faz parte do calendário de vacina da criança e do adolescente.

Existem hoje mais de 200 tipos de HPV. As verrugas genitais ou condilomas acuminados são apenas uma das manifestações da infecção pelo vírus do grupo HPV e estão relacionadas com os tipos 6,11 e 42, entre outros. Os tipos que têm potencial oncogênico (que podem desenvolver o câncer) mais frequentes que os outros são o HPV tipos 16 e 18.

“Hoje é difícil saber quem tem ou não o HPV, porque ele tem várias fases: clínica (verrugas genitais ou condilomas acuminados), subclínica (diagnosticada através dos exames papanicolaou e colposcopia) e latente (que pode levar de 1 a 10 anos para ser diagnosticado), a qual é mais difícil tratar”, afirmou o médico cirurgião Celso Fukuda, que atua no Hospital Ofir Loyola – voltado 100% ao Sistema Único de Saúde (SUS) e referência no Pará em casos de câncer invasor.

No Brasil, além dos exames de papanicolaou e colposcopia, outra forma criada para tentar prevenir a infecção do HPV foi encontrada por meio da vacina disponível às meninas, pelo SUS, há cerca de dois anos e, como o país não atingiu 100% de cobertura nos estados, a sobra das vacinas vão se estender para os meninos.

“A vacina é tetravalente e previne somente os tipos 6,11, 16 e 18 nas meninas e meninos. Além de evitar as verrugas genitais em ambos, nas meninas impede, principalmente, o câncer de colo de útero; e nos meninos evita os cânceres de pênis, reto intestino e orofaringe. Então, a vacina é uma estratégia formidável, eficaz e muito importante para prevenir essas doenças e diminuir os casos no futuro”, disse.

O médico esclareceu, ainda, que a cobertura de vacinação nas meninas nos estados variou de 40% a 80%. No Pará ficou em 40%. “Precisamos avançar mais, contar com investimentos também dos municípios na saúde básica e desmistificar que a vacina causa qualquer problema sistêmico. A única dor que pode ocorrer é local devido à aplicação. Nessa faixa etária a imunidade é mais eficaz, porque os meninos e meninas produzem muitos anticorpos contra o HPV, então é fundamental fazer a vacina. O acesso à prevenção da saúde tem diminuído os casos de câncer de colo de útero em outros países e no Sul e Sudeste do Brasil, pois, mesmo sem a vacina estar disponível para todos, existe melhor acesso hoje”, enfatizou Fukuda.

O HPV tipos 16 e 18 estão presentes em 98% dos casos de câncer de colo do útero. Os tipos 6 e 11 constam em 90% dos casos de verrugas genitais. Mas, além desses, há cerca de 13 tipos de HPV que podem causar a doença e não estão na vacina. “Então, a prevenção eficaz é, sem dúvida, a educação sexual, porque a contaminação pelo HPV é sexual, então precisa usar preservativo, ir ao ginecologista com mais frequência e outras medidas preventivas”, garantiu Celso Fukuda.

A Coordenação Estadual de Imunização foi procurada e ficou de informar hoje sobre os dados da cobertura vacinal das meninas no Pará e como se dará a vacinação dos meninos no Estado.

CASOS

No Pará, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, até o final de 2016, são esperados 830 casos de câncer de mama, 820 de câncer de colo de útero, 230 de câncer de estômago. O Inca estima, ainda, em 2016, na região Norte o câncer de colo do útero é o mais prevalente. Indicadores do Serviço de Mastologia do Hospital Ophir Loyola, apontaram 1.437 novos casos entre 2013 e 2015. Em anos anteriores, eram: 2007 (412); 2008 (422); 2009 (446); 2010 (471); 2011 (470) e 2012 (472). Esse quantitativo mede somente o número de ocorrências atendidas na Saúde Pública.

O câncer do colo do útero atinge principalmente mulheres com faixa etária de vida entre 40 e 49 anos, mas há incidência da doença a partir dos 20. A doença apresenta quatro estágios e, se for descoberta no primeiro deles, as chances de a pessoa sobreviver chega a mais de 80% dos casos; no segundo, 60%; no terceiro, 30%; e no quarto há apenas 12% de chances de sobrevida.

ORM

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Ana Moreira
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