música paraense conquista o Brasil

música paraense conquista o Brasil
dezembro 14 10:03 2016 Print This Article

272810Nas décadas de 60, 70 e 80, o Brasil foi descobrindo uma grande diversidade de ritmos. No Pará, o brega, zouk e lambada, por exemplo, ganharam destaque e logo conquistaram a simpatia do povo. Esses ritmos passaram a dividir espaço, então, com o famoso carimbó, além da MPB produzida aqui. Já em 2002, o tecnobrega e o melody se juntaram aos demais e também conquistaram o coração de muitos paraenses.

Conhecido como o primeiro artista brasileiro a gravar CD ao vivo bilíngue, Wanderley Andrade embalou multidões pelo Brasil afora. Nascido em São Miguel do Jari, distrito de Almeirim (PA), ele começou a carreira artística aos 19 anos. Em 1994, gravou seu primeiro LP. O sucesso começou a aparecer três anos depois com a música “Ladrão de Coração”. O artista conta que, no início, os músicos paraenses precisavam constantemente de apoio para divulgar seus trabalhos. Muitos encontraram em O LIBERAL essa ajuda. “O jornal teve – e continua tendo -, um papel fundamental nesse contexto. Muito por conta disso, a música popular paraense ganhou ascensão rapidamente. O Pará ganhou visibilidade lá fora através das parcerias feitas com músicos locais. Eu sou um deles. Sou grato a isso”.

Edilson Moreno talvez seja um dos nomes mais importantes do brega paraense das décadas de 80 e 90. Começou a carreira cantando em trios elétricos e festivais. Gravou seu primeiro disco em 1992. Possui mais de 500 músicas gravadas por outros artistas, como Lucinnha Bastos, Mahrco Monteiro, Wanderley Andrade e a então Banda Calypso formada por Joelma e Ximbinha. O artista relembra o início da carreira. “As dificuldades eram muitas. No Pará, quanto mais oportunidade surgia, era possível ver que muita história precisava ser contada. E que se precisava desbravar isso. Meu caminho foi longo. Muitos altos e baixos, mas nunca desisti. Já me apresentei em muitas cidades do Pará e Brasil. Meu objetivo é sempre levar o que fazemos de melhor aqui. Nossa música é linda. Sempre me diverti e acho que sempre consegui levar alegria para o povo e, isso é o que vale”.

Em relação à divulgação de trabalhos pela imprensa paraense, o músico conta que é muito válido. “Que continue sempre assim. Essa parceria é muito boa e saudável. Um fato curioso é que minha mãe guarda até hoje recortes de O LIBERAL em que eu fui destaque. São lembranças de entrevistas, shows, divulgação de trabalho. Esse apoio foi essencial na minha carreira. E continua sendo até hoje”, finaliza.

Nascido no município de Igarapé-Miri, nordeste do Estado, Aurino Quirino Gonçalves, mais conhecido como Pinduca, o “Rei do Carimbó”, é um dos músicos mais ativos do Pará. O artista comenta que, ao longo dos seus 43 anos de carreira, foram muitos desafios – entre eles, talvez o maior -, divulgar e expandir o ritmo paraense pelo Brasil e pelo mundo. Ele lembra da primeira vez que foi a África para uma série de shows. “Quando fui, contei com o apoio importante de O LIBERAL na divulgação. Isso, sem dúvida, foi essencial, porque pude mostrar a todo o povo o meu trabalho e a minha programação lá. É importante essa parceria. O Brasil ainda precisa conhecer muita coisa que a gente faz aqui. O povo do Pará agradece”, conta.

Prestes a completar 80 anos, Pinduca diz que a relação com outros artistas da terra é muito saudável. Ele fala com orgulho dessa relação. “Sou muito querido do meio artístico paraense. Como sou um dos mais antigos em atividade do Pará, eu sei de toda a história musical que se passou e passa aqui. Muitos me procuram para parcerias, shows, porque sabem que tenho história. Artisticamente, somos colegas, amigos, parceiros. Somos unidos porque o Pará precisa de nós. Ainda temos muito o que mostrar”, enfatiza.

PATRIMÔNIO

Há um ano o carimbó recebeu, oficialmente, em Belém, o título de Patrimônio Cultural Brasileiro, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O pedido de registro foi apresentado pela Irmandade de Carimbó de São Benedito, Associação Cultural Japiim, Associação Cultural Raízes da Terra e pela Associação Cultural Uirapuru. Entre os anos de 2008 e 2013, o Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan e a superintendência do Iphan no Pará conduziram o processo de registro e realizaram pesquisas para a identificação do carimbó em diversas localidades do Estado. O processo de inventário para registro do carimbó durou cerca de dez anos e foi aprovado por unanimidade, em Brasília, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, formado por representantes da União e da sociedade civil.

ORM

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Ana Moreira
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