Pará mostra tradição, modernidade e riquezas naturais

Pará mostra tradição, modernidade e riquezas naturais
dezembro 06 22:25 2016 Print This Article

praia-grande-em-marajc3b3-2A bola da vez, agora, é o Pará. No ecoturismo, no tecnobrega, que ganha mundo e, até mesmo, na política, por conta do plebiscito que neste fim de ano deve definir ou não a divisão do estado em dois. Destino pouco conhecido dos brasileiros do Sudeste, talvez pela distância, talvez por falta de divulgação do governo local, a questão é que o estado possui recantos quase intocados até mesmo em Belém, sua capital. O Pará é calor, boa comida, história, povo acolhedor (isso não é clichê) e tranquilidade.

Está marcado para o dia 11 de dezembro deste ano, o Plebiscito do Pará. O objetivo é consultar os eleitores locais sobre o desmembramento do estado em dois: os estados do Tapajós e Carajás. O resultado da votação será encaminhado pela Justiça Eleitoral ao Congresso Nacional, que terá a palavra final sobre a criação ou não dos estados. A votação divide opiniões acaloradas, já que a parte chamada de “mais rica” do Pará seguirá à parte da menos desenvolvida, que é coberta pela grande floresta.

Dilemas à parte, o melhor de tudo é que viajar para o Pará, especialmente para Belém e redondezas, como é o caso da Ilha de Marajó, não é algo tão caro, e a boa infraestrutura da região estimula esse convite. Há voos diretos de algumas capitais brasileiras para Belém, entre elas, Belo Horizonte. Os preços mais convidativos são da Azul Linhas Aéreas (voo 4190, saída de Confins, às 23h34, com chegada em Belém à 1h30, diariamente). Estes são feitos durante a madrugada, mas, sem a chateação das escalas, a longa distância de pouco mais de 3 horas de voo fica bem mais confortável.

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Planejando a visita ao Pará, em uma viagem de aproximadamente uma semana, evite ficar todos os dias em Belém. Em dois dias é possível conhecer as principais atrações da cidade. Entenda que, a riqueza do estado é o interior onde existem grandes e por vezes intocadas riquezas naturais, além de fantásticas praias de rio que se comportam como mar. A mais famosa e mágica das opções é a Ilha de Marajó. Há também as regiões de Alter do Chão, Ilha do Algodoal e Ilha do Mosqueiro.
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Hotéis mais novos são melhor opção

Conhecida como “Portão de Entrada da Amazônia”, Belém possui boa oferta hoteleira, mas dica boa e econômica é procurar hotéis de construções mais recentes por serem mais modernos, inclusive no treinamento dos funcionários. Os hotéis da Rede Tulip Inn, além da boa localização (junto de restaurantes e shoppings), seguem esta linha e as diárias não são tão salgadas. Os quartos são amplos e decorados de forma clean.

Para quem não abre mão de certo luxo, mesmo na Amazônia, o Crowne Plaza Belém é a melhor opção. A capital paraense também possui um hotel da rede internacional Hilton. O prédio possui estrutura antiga e preços de diárias muito altos. Ganha pela localização, ao lado do belíssimo Theatro da Paz, cuja reforma está sendo finalizada. O hotel têm varandinhas aprazíveis que garantem vista privilegiada dos apartamentos para a Baía do Guajará.

mangueiras-em-belc3a9m-1Dicionário do paraense na traduçãoA temperatura em Belém fica em torno de 35 graus centígrados. No verão, claro, aumenta, e pode passar de 40 graus, facilmente. Mas acalme-se. O que parece um tormento já foi pensado pela administração local há algumas décadas. A máxima de que a sombra de uma grande árvore é um “ar condicionado natural” foi implantada na cidade, que tem gigantescas mangueiras, perto de 8 mil pés plantados em suas avenidas. Assim, embaixo delas, juntamente com o vento que sopra constantemente, a temperatura torna-se mais amena.

“A Cidade das Mangueiras”, como foi apelidada, recebeu as primeiras árvores em 1780. Relatos do arquiteto e naturalista Antônio Landi dizem que foi no governo do intendente Antônio Lemos (1898-1911) que a cidade ganhou a arborização que lhe rendeu o título. Hoje, as árvores já estão incorporadas à rotina dos belenenses.

Por conta disso, uma das curiosidades é o “seguro manga” para os veículos que por ventura tenham sido atingidos pelas pesadas frutas, que despencam de alturas de mais de 15 metros. Parece brincadeira, mas não é. Pequenos “acidentes” como vidros rachados e latarias amassadas acontecem geralmente entre os meses de dezembro e janeiro, época da safra de manga.

Boró” – Dinheiro trocado, moedas
“Buiado” – Com muito dinheiro

“Brocado” – Com fome

“Égua” – Poxa vida! Bacana! Legal!

“Pai d’égua” – Excelente!

“Eu choooooooro!” – Não tô nem aí pra você

“Frescando” – Fazendo graça

“Pô-pô-pô” – Embarcação pequena

“Potoca” – Papo furado, mentira

“Levou farelo” – Morreu

“Tá safo!” – Tá beleza!

“Papa chibé” – Autêntico paraense
Passeios devem ser condicionados com os horários de calor

Os pontos turísticos de Belém ficam próximos da área onde se concentra a maioria dos hotéis. Antes das 11 horas, é possível percorrer alguns pontos a pé. Depois desse horário, até aproximadamente as 15 horas, o mormaço, para quem vem do Sudeste, mesmo com as mangueiras nas avenidas, torna-se um fator a ser considerado e respeitado.

Diante das curtas distâncias e do calor, pegar táxi não será algo tão supérfluo. Uma sugestão é ampliar o break do seu almoço e acrescentar à sobremesa um cochilo no hotel, ou mesmo, uma espreguiçada em alguma das grandiosas e arborizadas praças da capital. Lembre-se que você está na cidade à passeio e que não há “reuniões importantes” lhe esperando. Nesse intervalo, é comum cair na região uma chuva rápida – outro benefício natural para refrescar a cidade.

As opções de passeios contemplam tour de barco pela orla da Baía do Guajará ao entardecer, visita a museus, parques e ao centenário Mercado do Ver-o-Peso. O Ver-o-Peso é a maior feira livre da América Latina e está localizada na “Cidade Velha”, às margens da baía. Inaugurado em 1625, o mercado era entreposto fiscal, onde se media o peso exato das mercadorias para se cobrar os impostos para a Coroa Portuguesa – daí o nome.

Outras tradições históricas de Belém foram erguidas durante o “Ciclo da Borracha”, entre o final do século XIX e começo do século XX. Nessa época, Belém passou a ter grande importância comercial no cenário internacional e ficou conhecida como “Paris N’América”. No período, foram construídos importantes prédios da cidade como o Palácio Lauro Sodré, o Theatro da Paz, o Palácio Antônio Lemos entre outros.

No Ver-o-Peso acha-se de tudo um pouco. Cestaria e artesanato, peixes, infinidade de tipos de farinhas de mandioca (alimento básico da dieta paraense), castanhas (especialmente a “do Pará”), pimentas e os “cheirinhos do Pará”, que são perfumes e chás à base de plantas da Amazônia. A entrada no mercado é gratuita. O quilo de castanha do Pará limpa pode ser comprado por preços que variam de R$ 25 a 30. As farinhas artesanais, a R$ 5.

Polpa de açaí também é encontrada aos litros na feira. De acordo com comerciantes, o paraense jamais compra a polpa congelada. A frutinha tem que ser descaroçada na hora. Realmente o sabor é infinitamente melhor. No Pará, come-se a polpa açaí com farinha, como se fosse um pirão. Misturar o produto com açúcar é quase uma heresia.
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A maior festa de Belém é o Círio de Nazaré é uma das maiores e mais belas procissões católicas do Brasil e do mundo. Sempre em outubro, o evento reúne mais de 2 milhões de romeiros numa caminhada de fé pelas ruas da capital. O espetáculo grandioso é em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, a mãe de Jesus. Em todos os pontos da cidade há referências à imagem da santa, até mesmo no saguão de embarque e desembarque do aeroporto. A Basílica de Nazaré, ponto de encontro dos festejos, fica aberta à visitação de terça-feira a domingo, das 8 horas às 13h30, e das 15 horas às 18h30.

Outra opção de passeio em Belém é a Estação das Docas, que foi criada a partir da restauração do antigo Porto de Belém. O complexo turístico fica na orla da Baía do Guajará. Importante ponto de encontro da cidade no local há grande variedade de restaurantes – à la carte ou self-services. As confeitarias e sorveterias com delícias feitas à base de frutas típicas da região são imperdíveis.

Este é o caso da Sorveteria Cairu. Cada bola (servida generosamente) custa aproximadamente R$ 4. O sabor “Maria Isabel” é um dos mais impressionantes: coco, leite e pedacinhos da polpa de uma frutinha de palmeira chamada bacuri são misturados em proporções perfeitas formando um sorvete denso e rico em sais minerais. Milk shake e sorvete light também estão no cardápio, que reúne mais de 30 sabores.

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Passeios em áreas selvagens requerem guias especializado 
Além dos passeios feitos de forma independente, o que não é muito difícil de encarar na área urbana de Belém, há também a programação que pode ser contratada por meio de agências locais. Há tours de barco e em micro-onibus climatizados, com o acompanhamento de guias, por preços que variam de R$ 60 a R$ 50. Já nas viagens às ilhas, a contratação de guias e transporte é imprescindível pois tratam-se de regiões mais selvagens.

Fora de Belém, os pacotes de passeios para estadias de dois a três dias saem a partir de R$ 300, por pessoa, incluindo o transporte entre os hotéis e os locais de visitação. Os valores da diária das pousadas locais (de R$ 100 a R$ 280, por pessoa) e da alimentação são à parte.

Entre as trilhas ecológicas nas ilhas, há visitas de canoa aos mangues, passeios de bicicleta nas areias firmes das praias de rio e os passeios em lombo de búfalos, como é indispensável estando, por exemplo, em Marajó – a “maior ilha fluviomarinha do mundo”.

Fonte: www.tudodeviagem.com

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Ana Moreira
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